terça-feira, 16 de março de 2010

Quem é o Enfermeiro?


Um professor meu, de Ética, levou para debate, as seguintes questões:

O que influencia ou influenciou as pessoas para que elas tenham a representação do Enfermeiro(a) como um “auxiliar de médico”? Pois, as representações categorizadas e analisadas pela pesquisa, demonstram certa inferioridade a profissão do Enfermeiro(a). Para você, o que os profissionais devem fazer para mudar esse tipo de visão?

Eu respondi:

Existem uma série de fatos e ações que influenciam a sociedade a ter esse tipo de concepção em relação ao trabalho executado por um Enfermeiro. O problema, não está na estereotipação do Enfermeiro como “auxiliar de um médico”, e sim, na conotação negativa que se dá ao termo “auxiliar”.Por ser uma profissão nova, é normal que a sociedade ainda não valorize a real necessidade do trabalho de um Enfermeiro. Visto que, a prática da Enfermagem se iniciou através de um trabalho missionário, realizada por pessoas leigas e sem preparo especializado. E essa realidade, não está tão distante assim. Mesmo nos dias de hoje, ainda existem as “conhecidas” que aplicam injeções, aferem a pressão, acompanham idosos, e chegam até a receitar aquele remédio “infalível”, sem nenhum conhecimento mais específico.
Na maioria das vezes, as pessoas não sabem identificar o Enfermeiro dentro de um hospital. E normalmente, eles não estão tão presentes como deveriam, mesmo. A maioria deles estão no comando de um grupo de auxiliares e técnicos, que seguem as suas ordens, ou cuidando de algo mais administrativo.
Cria-se a imagem de que o Enfermeiro segue as ordens do Médico, e executa atividades mais primárias, como um banho, uma troca de fraldas. Pois, para leigos, dar banho em alguém, e trocar fraldas, é algo corriqueiro, que todos são capazes de fazer. Eles não fazem ideia da importância desse tipo de contato com o paciente.
Acredito, também, que muitos auxiliares, técnicos, e por vezes o próprio Enfermeiro, influenciam na criação desse tipo de concepção. Afinal, quem nunca presenciou um paciente solicitando algo, que o auxiliar, o técnico e o Enfermeiro, sabem que não pode ser oferecido, e por falta de interesse, comodismo, ou qualquer outro adjetivo similar, optam por dizer ao paciente que terão que perguntar ao Médico, se ele autoriza ou não, para não ter que explicar ao paciente o motivo daquela negação?!

Logo, esse conjunto de fatos e ações citados, e muitos outros, de estrutura histórica, econômica, social e cultural, imprimem no inconsciente coletivo, uma visão distorcida da atuação profissional de um enfermeiro.
Agora, pensando nas soluções, acredito que um conjunto de metas, certamente, fariam com que essa realidade negativa, se transformasse em um futuro, onde seria grande e satisfatória, a valorização ao profissional de enfermagem. Dentre as quais, eu citaria três, que eu considero fundamentais.
Em conjunto com a humanização, o PSF, seria um dos principais meios de se atingir êxito nessa valorização. Visto que, é nesse momento de grande intimidade com o paciente, onde o contato é feito, geralmente, na residência do mesmo, o enfermeiro poderia desenvolver um bom trabalho, com maior autonomia, transmitindo segurança, atenção, e, principalmente, conhecimento no trabalho oferecido.
A implementação de um processo de triagem no atendimento hospitalar, onde o profissional enfermeiro seria o responsável pelo pré-diagnóstico, e encaminhamento do paciente a um médico especializado, faria com que a demora no atendimento diminuísse, facilitaria o atendimento médico, e, certamente, também faria do enfermeiro, um profissional mais valorizado e presente nos hospitais.
Agora, essas propostas estabelecidas acima, só funcionariam, caso o governo investisse mais e melhor administrado, em hospitais e programas de saúde, possibilitando uma melhor estrutura de trabalho, e, consequentemente, um melhor atendimento á população.
Mas, também, não podemos esquecer da responsabilidade do profissional de enfermagem, onde, para mudar realmente, é preciso boa preparação, estudo contínuo, e, principalmente, comprometimento.
Somente desta forma, será possível mudar a realidade exposta nas pesquisas citadas.

Eu sei que eu me mantive em cima do muro, e não fiquei muito satisfeita com o resultado do meu trabalho. Aquela pulginha ficou na minha cabeça...

Até que chegou o dia da aula dele. Era a chance de sair de cima do muro, e construir uma concepção mais firma, sem brechas. E eu fui até lá, e perguntei ao tal professor, se ele, como Enfermeiro (Ele é Enfermeiro, especializado, com isso, aquilo, e muuuuuiiitaaa experiência), trabalhando com o melhor médico do mundo, se sentiria inferior se alguém viesse a se referir a ele como auxiliar desse médico?!

Depois de muito gaguejo e outros assuntos inseridos na pergunta, eu estou sem a minha resposta até hoje... Mas, por outro lado, eu consegui chegar a conclusão de que o problema não é ser o "auxiliar do médico", afinal de contas, se você for um bom profissional, independente da área em que você atue, você será reconhecido.

Para uns o caminho pode ser mais árduo, por questões de oportunidade, mas, mesmo assim, sendo bom naquilo que se oferece para fazer, você consegue chegar aonde quiser.

E mais, acho muito importante que cada um consiga criar a sua própria concepção... pois seria muito fácil sair da faculdade, já me sentindo inferior, em relação a um médico, fazer só aquilo que é me cobrado, sem procurar crescer como pessoa e profissional, e ficar esperando pelas soluções, que eu mesma, primariamente, citei no meu trabalho, acima.

Se eu for uma ótima profissional, vão lembrar de mim... Sendo eu uma recepcionista, uma enfermeira, ou a melhor médica de um hospital!

Importante pra mim, é ser reconhecida pelo meu trabalho. E que ele seja bom... Claro!!! hahahaahah


1 comentários:

Ronald on 16 de março de 2010 21:02 disse...

Pois eu não acho que você tenha ficado em cima do muro. Suas opiniões são pertinentes, aliás, a sua visão "clínica" da questão, de quem já vivencia a conturbada relação não apenas entre médicos e enfermeiros, mas entre os pacientes e os profissionais da saúde como um todo, que buscam um milagre, quando nem sempe se é possível dar grandes esperanças ou se ter boas condições de trabalho se salvar uma vida.
O termo "auxiliar" é o que ninguém quer ser, sobretudo uma pessoa com nível superior. E por quê? Reles arrogância de alguém que quer estar por cima. E o que é estar por cima? Pra mim, estar realizado pessoalmente ou profissionalmente já é estar por cima.
Queremos um status leviano, que nem sempre nos levará a algum lugar.
Eu acho que você defendeu perfeitamente o seu ponto de vista mas, acima de tudo, ficou a plena certeza do seu amor pela sua profissão e a sua vontade de crescer, mostrando a maturidade de uma menina-mulher; maturidade, essa, que me encanta e orgulha!
;)

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Quem é o Enfermeiro?

Um professor meu, de Ética, levou para debate, as seguintes questões:

O que influencia ou influenciou as pessoas para que elas tenham a representação do Enfermeiro(a) como um “auxiliar de médico”? Pois, as representações categorizadas e analisadas pela pesquisa, demonstram certa inferioridade a profissão do Enfermeiro(a). Para você, o que os profissionais devem fazer para mudar esse tipo de visão?

Eu respondi:

Existem uma série de fatos e ações que influenciam a sociedade a ter esse tipo de concepção em relação ao trabalho executado por um Enfermeiro. O problema, não está na estereotipação do Enfermeiro como “auxiliar de um médico”, e sim, na conotação negativa que se dá ao termo “auxiliar”.Por ser uma profissão nova, é normal que a sociedade ainda não valorize a real necessidade do trabalho de um Enfermeiro. Visto que, a prática da Enfermagem se iniciou através de um trabalho missionário, realizada por pessoas leigas e sem preparo especializado. E essa realidade, não está tão distante assim. Mesmo nos dias de hoje, ainda existem as “conhecidas” que aplicam injeções, aferem a pressão, acompanham idosos, e chegam até a receitar aquele remédio “infalível”, sem nenhum conhecimento mais específico.
Na maioria das vezes, as pessoas não sabem identificar o Enfermeiro dentro de um hospital. E normalmente, eles não estão tão presentes como deveriam, mesmo. A maioria deles estão no comando de um grupo de auxiliares e técnicos, que seguem as suas ordens, ou cuidando de algo mais administrativo.
Cria-se a imagem de que o Enfermeiro segue as ordens do Médico, e executa atividades mais primárias, como um banho, uma troca de fraldas. Pois, para leigos, dar banho em alguém, e trocar fraldas, é algo corriqueiro, que todos são capazes de fazer. Eles não fazem ideia da importância desse tipo de contato com o paciente.
Acredito, também, que muitos auxiliares, técnicos, e por vezes o próprio Enfermeiro, influenciam na criação desse tipo de concepção. Afinal, quem nunca presenciou um paciente solicitando algo, que o auxiliar, o técnico e o Enfermeiro, sabem que não pode ser oferecido, e por falta de interesse, comodismo, ou qualquer outro adjetivo similar, optam por dizer ao paciente que terão que perguntar ao Médico, se ele autoriza ou não, para não ter que explicar ao paciente o motivo daquela negação?!

Logo, esse conjunto de fatos e ações citados, e muitos outros, de estrutura histórica, econômica, social e cultural, imprimem no inconsciente coletivo, uma visão distorcida da atuação profissional de um enfermeiro.
Agora, pensando nas soluções, acredito que um conjunto de metas, certamente, fariam com que essa realidade negativa, se transformasse em um futuro, onde seria grande e satisfatória, a valorização ao profissional de enfermagem. Dentre as quais, eu citaria três, que eu considero fundamentais.
Em conjunto com a humanização, o PSF, seria um dos principais meios de se atingir êxito nessa valorização. Visto que, é nesse momento de grande intimidade com o paciente, onde o contato é feito, geralmente, na residência do mesmo, o enfermeiro poderia desenvolver um bom trabalho, com maior autonomia, transmitindo segurança, atenção, e, principalmente, conhecimento no trabalho oferecido.
A implementação de um processo de triagem no atendimento hospitalar, onde o profissional enfermeiro seria o responsável pelo pré-diagnóstico, e encaminhamento do paciente a um médico especializado, faria com que a demora no atendimento diminuísse, facilitaria o atendimento médico, e, certamente, também faria do enfermeiro, um profissional mais valorizado e presente nos hospitais.
Agora, essas propostas estabelecidas acima, só funcionariam, caso o governo investisse mais e melhor administrado, em hospitais e programas de saúde, possibilitando uma melhor estrutura de trabalho, e, consequentemente, um melhor atendimento á população.
Mas, também, não podemos esquecer da responsabilidade do profissional de enfermagem, onde, para mudar realmente, é preciso boa preparação, estudo contínuo, e, principalmente, comprometimento.
Somente desta forma, será possível mudar a realidade exposta nas pesquisas citadas.

Eu sei que eu me mantive em cima do muro, e não fiquei muito satisfeita com o resultado do meu trabalho. Aquela pulginha ficou na minha cabeça...

Até que chegou o dia da aula dele. Era a chance de sair de cima do muro, e construir uma concepção mais firma, sem brechas. E eu fui até lá, e perguntei ao tal professor, se ele, como Enfermeiro (Ele é Enfermeiro, especializado, com isso, aquilo, e muuuuuiiitaaa experiência), trabalhando com o melhor médico do mundo, se sentiria inferior se alguém viesse a se referir a ele como auxiliar desse médico?!

Depois de muito gaguejo e outros assuntos inseridos na pergunta, eu estou sem a minha resposta até hoje... Mas, por outro lado, eu consegui chegar a conclusão de que o problema não é ser o "auxiliar do médico", afinal de contas, se você for um bom profissional, independente da área em que você atue, você será reconhecido.

Para uns o caminho pode ser mais árduo, por questões de oportunidade, mas, mesmo assim, sendo bom naquilo que se oferece para fazer, você consegue chegar aonde quiser.

E mais, acho muito importante que cada um consiga criar a sua própria concepção... pois seria muito fácil sair da faculdade, já me sentindo inferior, em relação a um médico, fazer só aquilo que é me cobrado, sem procurar crescer como pessoa e profissional, e ficar esperando pelas soluções, que eu mesma, primariamente, citei no meu trabalho, acima.

Se eu for uma ótima profissional, vão lembrar de mim... Sendo eu uma recepcionista, uma enfermeira, ou a melhor médica de um hospital!

Importante pra mim, é ser reconhecida pelo meu trabalho. E que ele seja bom... Claro!!! hahahaahah


1 comentários:



Ronald disse...

Pois eu não acho que você tenha ficado em cima do muro. Suas opiniões são pertinentes, aliás, a sua visão "clínica" da questão, de quem já vivencia a conturbada relação não apenas entre médicos e enfermeiros, mas entre os pacientes e os profissionais da saúde como um todo, que buscam um milagre, quando nem sempe se é possível dar grandes esperanças ou se ter boas condições de trabalho se salvar uma vida.
O termo "auxiliar" é o que ninguém quer ser, sobretudo uma pessoa com nível superior. E por quê? Reles arrogância de alguém que quer estar por cima. E o que é estar por cima? Pra mim, estar realizado pessoalmente ou profissionalmente já é estar por cima.
Queremos um status leviano, que nem sempre nos levará a algum lugar.
Eu acho que você defendeu perfeitamente o seu ponto de vista mas, acima de tudo, ficou a plena certeza do seu amor pela sua profissão e a sua vontade de crescer, mostrando a maturidade de uma menina-mulher; maturidade, essa, que me encanta e orgulha!
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