sexta-feira, 29 de julho de 2011

Uma grande aventura - Quarto dia!



Ahhh... o quarto dia! Esse dia sim, eu nunca mais esquecerei... 
Desculpem o trocadilho ridículo, mas esse ficará conhecido como o "Quarto dia - Dia do Quarto!"
Esqueci de contar, que no dia anterior, a noite, fomos passear de furgão da Cruz Vermelha, no Centro, e fazer umas compras. Fruuuutaaaas, leguuumess... nem acredito! rs
Hje o pessoal da FUNASA apareceu. Graças à visita da Ana Paula e da Carla, ontem, e não satisfeitas, voltaram lá hoje, a Nathy e a Ana Paula novamente. “Não promete, que nós vai atrás!” HAHAHAHAHAHAHA
Vieram em equipe de 3 pessoas, e estão circulando pela comunidade, fazendo controle de Dengue. 

O dia começou tranquilo. Na parte da manhã, o posto ficou vazio, já que era a festa de encerramento das atividades, na escola local.
A Enfª Tatiana, como havia prometido, trouxe o material de saúde da mulher e o projetor, para que fossem utilizados nas palestras do dia.
Almoçamos, mais uma vez com mtas porcarias... rs
Lilian foi embora, e já pensávamos nas expectativas da ação social, no dia seguinte.
Quando deu 14h, a porta do posto já estava cheia.
Achei engraçado que mtos já me conheciam pelo nome. Isso é tão legal!!!
Tivemos atividade para crianças, com a Tia Carla e palestra de Saúde da Mulher, e planejamento familiar, com o Wellington, Camila e Enfª Tatiana, ao mesmo tempo, em salas separadas, obviamente.
A palestra de saúde bucal da Tia Carla foi ótima. As crianças participaram ativamente, e eu devo pedir palmas a ela, que conduziu perfeitamente!!!

A palestra de saúde da mulher tb foi legal, foram algumas mulheres. Percebemos que esse tipo de assunto não é mto bem trabalhado por lá, infelizmente, já que as meninas estão engravidando cada vez mais cedo, na comunidade. Pra vcs terem uma ideia, foi identificado que, muitas mães deixam os filhos desnutridos, só para terem o direito de ganhar o leite, no início do mês!!! Além disso, tem outras que engravidam pra aumentar em R$50 o Bolsa Família!!!
Enquanto rolavam as duas palestras, eu, a Folly e o João fizemos bandeirinhas para o salão do posto, e providenciei um painel de divulgação da ação social, no dia seguinte. Ficou bem legal, fiz com 4 folhas de papel pardo, algumas de ofício, e umas embalagens de papel de bala. No sufoco, improvise! rs...
Pendurei o painel lá fora, na grade do posto... E qdo eu já ia entrando, alguém me grita, do outro lado da rua. Eu voltei pra saber o q essa pessoa queria, e ela me avisou, que pediram pra avisar, que se eu não tirasse o painel, iriam destruir.
Como assim?!?! Eu fiquei uma tarde inteira cortando e colando papel, de joelhos no chão, e vão destruir?!?! Ahhhh... mas não vão mesmo, eu pensei cmgo! Fui tomada por um sentimento de raiva, injustiça, e irresponsabilidade, também... hahahahaha.... Afinal, manda quem pode, obedece quem tem juízo, já dizia a minha avó! rs...
Eu juro, eu só pensava na quantidade de pessoas que eu queria convidar... Se eu pudesse, buscaria todos em casa, pra participar do evento, já que havíamos conseguido preventivo, mamografia e glicemia para todos, o que é mto raro naquela região.
Sabe o que eu fiz?! Montei um sistema de revezamento para que o painel ficasse lá!!!
Um ficava, entrava, vinha outro... E assim, o painel ficou até as 17h, qdo estava na hora do pessoal do posto ir embora... hahahaha... Quem tem, tem medo!
Minto, ficou até mais tarde, já que a Nathy e a Enfª Tatiana haviam ido à rua arrecadar brindes pra sortear na festa, no dia seguinte. Só entramos qdo elas chegaram, umas 19h30min, por aí.
Nesse meio tempo, Carla, Ana Paula e Wellington, fugiram de todo mundo, e foram pro Centro, dar uma volta. FUGIRAM SIM! Hahahahahahahahaahhaha
Entramos e ficamos planejando como seria, onde seria... O assunto era ação social do dia seguinte.
Acertei algumas coisas com a Enfª Tatiana, ela foi embora, e começamos o mutirão pra organizar o posto, e enfeitar o salão.
Os fugitivos chegaram, e continuamos organizando o salão... Fiz um chocolate quente pra gente, tinha música, estávamos todos felizes, curtindo a noite...
Até que a Ana Paula, que já estava deitada, surge pálida, dizendo que haviam batido na janela do quarto e ela tinha visto um rosto no vidro.
São 01h30min da manhã, está tudo escuro lá fora, e tem gente no quintal do posto batendo nos vidros...
MEU DEUUUS! Foi uma correria pelo posto...
Eu estava achando que era brincadeira do Wellington e da Ana Paula, querendo que fossemos dormir, já que eles dormiam cedo.
Todo mundo começa a recolher os laptops, celulares... eu só queria meu estojo de canetas, que estava do lado da porta principal do posto, de vidro!!! Hahahahaha
O posto está uma bagunça... retalhos para todo lado, copos, uma sujeira só...
Do nada me vem o Wellington com um óleo da igreja dele, dando um banho em todo mundo... hahahahahaha... Meu cabelo já estava oleoso, depois dessa...
Eu pensei comigo, acho que ele não brincaria com coisa da igreja, né?!
Fui pro quarto... Surtei qdo ví marcas de pé no meu colchão e água... Até que ele disse que pisou ali, na correria, e a água, era o oléo da unção. Hahahahahaa... Oléo da unção pode!!!
A Carla e a Ana Paula estavam lá, assustada, pq continuavam a bater nos vidros.
Ok, gente! Vamos parar com essa brincadeira...
Alguém diz com voz firme, que não era brincadeira.
Beleza, então eu quero a minha mãe!!!
Desligamos a música, apagamos a luz do salão, e a Fernanda vai tomar banho... Ficamos na sala da Enfermagem, que tinha o banheiro com chuveiro, eu, Marcelo e Wellington, enquanto a Fernanda tomava banho, com a porta aberta.
Bateram no vidro do banheiro... Todos saem correndo pelo posto... Eu, por incrível que pareça, fui a primeira a chegar no quarto!!! Hahahaha... E toda a minha roupa ficou espalhada pelo posto!
Ok, eu já entendi, e ouvi... não é uma brincadeira!
Depois de tudo o que eu ouvi da comunidade, tem pessoas lá fora, querendo nos assustar, assaltar, estuprar, vão invadir o posto, são mtos... Como ficamos criativos nessas horas!!!
Nesse meio tempo, o nosso valente Marcelo bateu no vidro de volta, respondendo... O que ele não esperava, é que o temor seria tanto, que causaria nele uma dor de barriga súbita!!! uhauhuahhauhuahuaahua...
Eu me lembro dele pedindo pelo amor de Deus, que a Fernanda terminasse logo... uauhauhauhauhaua... E todos esperando por ele na sala de Enfermagem. O silêncio no posto era ensurdecedor!
Eu nem olhava pra janela... Quem quer ver o capeta, vai pro inferno!!! rs
Eu sei que a Fernanda terminou o banho de gato, o Marcelo usou o trono e eu fui tomar banho.
Quando chego no quarto, descubro que continuaram batendo na janela, e na porta lateral.
Ok, chega! Vamos ligar pra polícia agora... O orelhão, que funcionava bem até as 21h +/-, não funcionava mais...
Luzes de lanterna atravessam os vidros da porta lateral...
Pânico, pânico... Liga do celular para o 190...
Alô, DPO de Campos, era o que sempre diziam do outro lado da linha... E agora, será que o Chapolin apareceria por aqui?!?!
Alguém lembra que o marido da Tia Sandra, a cozinheira, era policial, e ligam pra ela. No dia seguinte, ficamos sabendo que eles foram até a DPO pedir a patrulha que foi pra lá.
A Ana Paula me vira, e diz que ligaria a câmera pra grava o que estava acontecendo, pq naquele filme, que um grupo de voluntários é atacado na África... tra lá lá... HAHAHAHAAHAHAH
A Nathy não saía do celular... Acho que ela ligou para Niterói inteiro!!!
A Carla, elétrica, não pronunciava uma palavra...
A Ana Paula branca, como cera... Marcelo querendo ir lá fora...
Alguém diz que deveríamos orar... O Wellignton, claro!
Lá vem ele com toda sua unção, reúne todos nós em círculo, sentados na cama, de mãos dadas, orando, timidamente, enquanto o Marcelo, vigiava a porta.
Orai e vigiai, já dizia a minha mãe!!! Hahahahahahha
Continuavam batendo nos vidros, e em locais diferentes do posto...
A Folly não parava de rir, de nervoso... Nisso, a Carla toma a frente da oração, e aos berros, começar a falar do nosso trabalho, o qto era importante a nossa presença naquela comunidade, quais eram os nossos objetivos, que não estávamos ali pra tomar o lugar de ninguém, pedindo a Deus que protegesse cada um que estivesse ali, que nos desse serenidade... tra lá lá... Até Jesus ficou surdo, tamanha altura da oração dela.
Mas valeu, depois disso, não escutamos mais bater...
Pensa que acabou?!?! Hahahahah... Claro que não!
Tudo escuro, todo mundo deitado, a Dyva aqui, que vos fala, fica dispneica, e o Wellignton, mto solícito, diz que se alguém passasse mal, ele pegaria água na cozinha... hahahahahah...
Eu nunca tinha sentido falta de ar... PQP! É horrível, tenebroso, horripilante...
Eu sinto um segurar meu pé, o outro a perna, o na barriga, o outro o braço, cafuné, e a Fernanda do outro lado, alisando meu braço...  Eu só escutava as pessoas me pedindo calma...
PQP! Me soltem!!! Eu quero respirar!!! Hahahahahahaa
Uns 30 minutos depois, com a minha respiração normalizava...
Alguém fala que viu a luz da polícia do lado de fora... Os cachorros começam a latir... Barulho no quintal do posto... Acho que pularam o muro... Eles estão latindo muito!!! Silêncio... mais silêncio ainda... Vamos ficar quietinhos! Vamos esperar...
Eu, mega discreta, inicio uma crise de tosse violenta... Benalete, álcool, nada me fazia parar de tossir... Aliás, a Folly precisa de agradecimentos nesse momento. Ela pegou minha benalete, o álcool, uma toalhinha, arrancou meu mendiguinho, sim, aqueles cobertores cinza, com um risco vermelho... A Cruz Vermelho deu um pra gente!!! Como esquenta, aquele cobertor!!! Mas voltando, sei que a Folly ficou do meu lado o tempo todo!!!
Acho que eu tossi até dormir! Rs
Acordei, 30 minutos depois de dormir... isso já eram 5:20 da manhã, e a vontade de fazer xixi era absurda...
Quem vai comigo?! A Fernanda, claro!
Já está amanhecendo... Espera um pouquinho, que o João (agente de saúde), chega já já...
Fernanda, ele só chega as 8h! Até lá, eu já entrei em colapso!
Como eu dou trabalho! Hahahahahaha
Até que resolvemos, e fomos ao banheiro. Correndo pelo posto, na ponta do pé, e ainda fazer xixi no escuro, em um banheiro com divisórias, não tem preço. Juro, eu tremia tanto, que nem senti o prazer de esvaziar a bexiga!!!
Voltamos pro quarto, sem saber que ainda tinha gente lá fora tomando conta do posto.
Deu 6h, 7h – com direito a um susto tremendo, qdo o celular do Wellington despertou. Todo mundo pulou na cama! hahahahahaah -, 8h...
Barulho na porta principal... Deve ser o João! Vou esperar ele vir aqui...
Todo mundo levanta assustado, sai pelo corredor desconfiado, e damos de cara com um posto completamente bagunçado, as portas abertas, população chegando pra ser atendida, ação social pra organizar, e a Enfª de mau humor, achando que a gente tinha deixado o posto daquele jeito de sacanagem... Mas isso essa confusão toda, é só no quinto dia... rs

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Uma grande aventura - Terceiro dia!


Bom dia terceiro dia!
A correria pra tomar banho, era uma loucura. Só tinha um chuveiro, e 8 pessoas pra tomar banho em 1h, já que as 8h, o posto abria. E lá fui eu, banho, e depois, tomar café, pra esperar os participantes da minha primeira palestra.
A ansiedade era tanto, que eu nem tomei café direito. Eu estava insegura por ser a minha primeira vez, na orientação em grupo, sendo observada e avaliada por um grupo de desconhecidos, além de uma enfermeira formada, que coordena o posto.
Dyva, que é Dyva, não demonstra insegurança. Mas confesso, não passava nem nylon!
Deu 9h, 09h15min... e nada do pessoal chegar. Mais insegura eu ficava... ôxente! rs
Até que chegou um, dois, três... no final, já eram umas 15 pessoas, mais eu, Fernanda e Camila.

Vamos começar! Enquanto isso, Nathy e Ana Paula brincavam com as crianças que estavam com os pais na palestra.
Lá foi a Folly, colocando nome em todos, e eu estendi o meu “tapete dos segredos”... Sim, eu bolei um cartaz com 8 segredos que combatem a hipertensão, que iam abrindo conforme eu ia falando sobre o assunto. Tapete, pq eu coloquei no chão mesmo. rs
E a palestra, transformada em bate-papo dinâmico fluiu perfeitamente. Todos participaram, e tinha uma ariana, que eu não vou dizer quem é, toda orgulhosa de si mesma... rs... E pra finalizar, conferimos PA e peso da galera, e foi sugerida ao público uma caminhada no dia seguinte, às 9h.
Almoçamos, e os meus planos era dormir na parte da tarde... Anham, Claudia, alguém dorme aqui?! rs
Dessa vez, o almoço já passou a ser na mesa, com todos, e começaram as porcarias... Os almoços eram sempre cercados de mtas porcarias, pqp! Os piores assuntos, exemplos...
Aplausos para o relinche da Ana Paula, sempre presente! HAHAHAHAHAH
Deu 14h, hora marcada para palestra sobre DST e Tabagismo com os adolescentes. Fez fila na porta do posto, e tivemos que selecionar por idade, mesmo sabendo que mtas crianças ali sabiam bem mais que seus pais!!! 
A parte que não tinha idade compatível para palestra seguiu para a quadra, a única opção de lazer do vilarejo, para recrear com o material que levamos da Cruz Vermelha.
A Nathy ficou com um grupo de meninas que sonham em serem modelos e fotografas, mas que nunca haviam tirado fotos com uma máquina digital, eu e a Folly ficamos com o grupo mais numeroso e levado, obviamente. 

Eu sempre tenho mya sorte, qdo o assunto é criança e/ou pacientes psiquiátricos.
Eu vi aquelas crianças completamente encantadas, brincando com bambolê, bola de leite, peteca e corda. Nesse momento, eu lembrei das vezes em que a minha família distribuía doces em festa de São Cosme e São Damião, que as crianças queriam qlr outra coisa que não fosse bambolê e bola de leite. Lembrei de como eu havia tido uma infância incrível, e do qto eu era feliz, e estava mais ainda por estar ali, naquele momento, podendo presenciar tamanha felicidade alheia.
Mas como qlr criança, é difícil manter atenção por mto tempo, e eu só lembrava da minha mãe dizendo que criança levada, precisa gastar energia. E foi o q fizemos: corrida de um lado ao outro da quadra, salto, e corrida de carrinho-de-mão humano. Eles nunca haviam brincado disso, e estavam super empolgados e interagindo bastante.
Eis que surgiu uma briga, entre dois meninos. Pensem em socos, pontapés, porradaria mesmo... Eu nunca tinha visto crianças brigando daquela forma. Precisamos ser mais energéticas, nesse momento. Foi aí que a minha voz sumiu de vez... rs... e pasmem, fui chamada de Vaca! rs... Achei que seria mais inteligente da minha parte, fingir que não havia escutado.
Qdo deu umas 16h30min, descemos para o posto, e liberamos as crianças.
A Lilian tinha chegado com os colchões a nossa comida. \o/
Lá, eu passei pelo Cunha, um sujeito mtooooo educado, gentil e solicito, que me deu um fora. rs...
Encontramos com a Lilian na sala de Enfermagem, conversamos sobre o que já havíamos feito, e eu até já tinha tido coragem de perguntar sobre o cabelo de um amigo nosso, e nisso, já era a hora do jantar. Jantamos, e fomos programar como seria o dia da ação social.
A Lilian foi dormir, e começando a separar as tarefas.
Eu fiquei com Glicemia... EUUUU??? GLICEMIA??? SURTEI! Eu nunca fiz hgt em ninguém!!!
Até que alguém – o Wellington - tem a péssima ideia de dizer o qto era fácil... HHAHAHAHA... Eu possuída, querendo explicar o qto eu achava errado fazer algo que eu não tinha competência pra fazer. Que eu era responsável e sabia das minhas necessidades, e capacidades. Desculpa, mas eu nasci perfeccionista! rs
Até que a St. Carla se oferece para ser a minha cobaia! Hahahahahaha... Meu primeiro dedo!
PAREI! Juro que eu me senti uma completa idiota, por ter criado aquele rebu todo, achando que seria algo mais complexo do mundo. Foi a mesma sensação que eu tive, quando aprendi a verificar P.A. É mto simples! rs... MIM ESCROTA! rs...
Eu já disse isso a todos eles, mas vale mto a pena repetir aqui: obrigada demais, pela paciência em me aturar, equipe linda! Vcs me ensinaram mto!!!
Ok, ok... sem mais polêmicas por hoje, resolvemos dormir. Vai um tomar banho, outro... cama...
Qdo todos estavam já deitados, ainda acordados... aquele silêncio da madrugada... PLOFT!
Um barulhão, que propagou pelo quarto...
O silêncio ficou maior ainda... até que a Ana Paula levantou a cabeça pra fora do cobertor... e a Carla começou a se mexer. Foi o suficiente para que gargalhadas surgissem... Imaginem 8 pessoas dando gargalhadas dentro de um quarto minúsculo?!?!
Sim, foi um pum!!! HAHAHAHAHAHAH
Eu, infelizmente, não posso entregar quem foi... Mas vou lembrar pro resto da minha vida, a cara de pânico do Marcelo apontando para cama ao lado, mostrando quem foi, e que, ainda por cima, dormia tranquilamente!!! HAHAHAHAHAHAHA
Eu, e mais umas cabeças levantamos... Não tinha como dormir naquele momento!
Papo vai, papo vem, na cozinha... Só ficamos eu, Nathy e Folly. Até que o assunto espiritismo surge, e a Nathy começa a contar histórias do pai dela. Do nada, a luz do salão apaga sozinha...
Gelei, claro... Quem fez isso, eu perguntei. Morrendo de medo que alguém me respondesse, claro!
Continuamos conversando, olhando para um lado e para outro... e uma bola cai no quintal do posto.
Vamos dormir, vamos gente! Levantamos as três corajosas, correndo, e fomos para o quarto!
Afinal, já estava amanhecendo no Manancial... rs









quarta-feira, 27 de julho de 2011

Uma grande aventura - Segundo dia!


6h da manhã, e alguém esmurra a porta aos berros...
Era o Wellington, já dando uma pequena mostra da sua casqueadura!
Acordar com gritos, e ter que seguir para um banho frio (O chuveiro era quente, mas quem disse que o frio deixava esquentar aquela busenga), e ainda tendo que lavar o cabelo, não tem preço!
Primeira etapa, banho, cumprida!
O pessoal já estava tomando café da manhã, quando nós saímos. E eu fui com a Folly, ver o que tomaríamos. O café era simples, pão, leite, achocolatado, suco de açúcar com caju, e uma broa.
Pra começar, leite quente, MUITO QUENTE, que me rendeu dois dias de língua dormente. E 1 pão pra cada... Não que eu fosse comer mais de um, mas colocar um pra cada é foda! rs... Foi aí que começou a grande paixão pela manteiga Macuco. PQP, que delícia!!!
Juntamos-nos ao grupo, que já discutia o que faríamos naquele dia. Ouço reclamações do ronco da Folly, e esperamos que a Enfª Lívia viesse nos buscar, para que, finalmente, fossemos para o tão esperado Manancial.
Acho que a ansiedade era tanta, que ficamos 40 minutos na porta da Pousada, com toda aquela bagagem, esperando o motorista chegar. E olha que, para complementar a ansiedade, ele passou por nós duas vezes, dizendo que já viria nos buscar. rss...
Foram tantos minutos, que deu tempo da Folly colocar a calça jeans dela, estirada em cima das bagagens, pra secar. Pouco discreta, a minha amiga! rs
Eis que a kombi chega. Entra material, entra gente, despede do Alex e do Mello, que voltariam para o Rio, e vamos ao encontro do Manancial.
Segue em frente, vira a rua, segue mais, e começamos a subir... Subimos, subimos... Começa a estrada de chão, e continuamos a subir... E o motorista, sem graça com as gargalhadas do remelexo dentro da kombi, diz que o Prefeito é legal, e está só esperando as obras da Cedae, pra asfaltar aquela região. Eu penso comigo, que bacana, estamos indo para um local em pleno desenvolvimento!!!
Chegamos a uma praça, ou melhor, um espaço descampado, com mtos barrancos na volta, e eu vejo também um conjunto habitacional abandonado no alto, e uma casa retangular, com muros baixos, onde funciona o PSF que ficaríamos. 
Ao mesmo tempo, chega a Enfª Lívia, em seu carro, com o restante das nossas bagagens. rs
Entramos com todo o material, e somos apresentados a Enfª Tatiana, que coordena o PSF, e aos funcionários que trabalham lá. Tirando a Tatiana, que precisava ser educada, todos nos olham desconfiados.
Entramos no quarto, onde dormiríamos, e a minha primeira surpresa: tem uma cortina preta, do teto ao chão, e uma mesa gigante. Penso comigo: será que eu estou em uma sala de velório da comunidade e não sei?!?! Melhor esquecer isso, eu preciso dormir mais tarde!!! 
Organizamos as malas na sala, com a ideia de que os colchões chegariam no final da tarde.
Acabada essa etapa, vamos dar uma volta com a Enfª Lívia pela comunidade - Sim, duas ruas, e casas no entorno.
A primeira impressão é estranha. As pessoas nos olham desconfiadas... Chego perto de um cachorro branquinho (cor de barro), e ele sai correndo, com os rabos entre as pernas. Concluo que não são só as pessoas da comunidade que são desconfiadas! rss...
A Enfª Lívia é bem vista por lá, todos cumprimentam ela, e a conhecem pelo nome. Ela nos explica que trabalhou ali por quase dois anos. Vamos andando devagar, dando bom dia a todos, até que chegamos na última casa da rua de cima, e conhecemos a D. Marisa. 
Uma senhora mto simpática, que cola várias fotos do cantor Daniel pela varanda. Ela convida eu e a Folly pra entrar e conhecer a casa dela. Entramos, desconfiadas, e conhecemos a segunda paixão da D. Marisa: os bombeiros. 
A casa dela, de dois cômodos, é bem organizada, limpa e colorida. Muitos ursinhos de pelúcia, foto de bombeiros, do Daniel e familiares. Ela nos oferece um café e água, mas não aceitamos. A lembrança do último café que tomei em uma comunidade que visitei, cujo copo era mais escuro que o próprio café, me deixou traumatizada. 
Papo vai, papo vem... D. Marisa conta que por ter a casa organizadinha, e ter uma pensão de um salário mínimo, dificulta na hora de receber donativos da assistência social. Ela fala da sua paixão pelos bombeiros, pelo Daniel, e dos netos, que por ligarem a cobrar, ela cortou o telefone, que agora só recebe.
Por falar em telefone, ela diz: qlr coisa que vcs precisarem, liguem 3745 (fictício). 
Oi? 3745? Quatro números?!?! Como eu ligo pra esse número?!?! rsss... Tudo bem, deixa pra lá... Outra hora alguém me explica como funcionam os telefones da cidade.
Peço licença, pois preciso voltar ao posto com a Folly, e quando chegamos na porta, onde estão todos?!?! 
Puxa vida, a ordem não era andarmos em grupo?!?! Nos esqueceram, Fernanda, nos esqueceram!!!!
Seguimos ao posto, e lá, foi montada uma reunião na sala da Enfermagem. A Enfª Tatiana começa falando da comunidade, que ali é um lugar especial, mas que vem sofrendo com alguns probleminhas: o alto índice de usuários de drogas, alcoólatras, estupros, vandalismo e assalto. Ela diz pra não andarmos, em hipótese alguma, sozinhos, e depois de fechar o posto, as 17h, evitar de circular do lado de fora.
Ok, imagino a minha mãe escutando isso, mobilizando a Marinha, Exército, FAB, e o Corpo de Bombeiros pra ir me resgatar no meio daquele vilarejo!!! Se eu queria aventuras nas férias: aqui estou!!!
Olho para o rosto do pessoal da equipe, e sinto uma tensão no ar. rs
Enfim, alguém chama, dizendo que o almoço chegou, junto com a Tia Sandra. Todos seguem desconfiados, pra finalmente conhecer a cozinheira, que nos acompanharia por 11 dias. O temor de ter que comer uma carne moída com macarrão, como no dia do treinamento na Cruz Vermelha, é assustador.
Opa, ela lembra fisicamente a minha madrasta, é simpática, e para a felicidade da nação, o almoço não é macarrão com carne moída. Pra se bem sincera, não me lembro o que almoçamos naquele dia. Mas estava uma delícia, tenho certeza. E tinha salada, para felicidade da Carla! rs
O primeiro almoço é no quintal do posto, já que não havia mesa que acomodassem todos. 

Passo a tarde programando a minha palestra em ppt, sobre hipertensão, dengue e diabetes, já que me disseram que são os principais problemas da comunidade, que na minha cabeça, seria na quinta-feira, enquanto o restante do grupo vai conhecer o campo, e convidar a comunidade, acompanhados de um agente de saúde, para as atividades que seriam programadas no dia seguinte. 
Aproximadamente 16h, recebemos uma ligação de que o carro com a nossa alimentação e colchões não chegaria a tempo, naquele dia. Ok! Mas onde vamos dormir?!?! Uma mobilização começa, em busca de colchões, tem um inflável da Ana Paula, surge mais um inflável da Tia Sandra, e conseguem mais dois na comunidade. Ok! 2 colchões micro de casal, um como papel, e um de solteiro. 8 cabeças pra dormir... 
Tah bom, tah bom... tdo vai dar certo! Eu vou dormir com a Folly roncando do meu lado, mas tô feliz, meus slides ficaram lindos! rs...
Deu 17h, a equipe do posto tranca tudo, e vai embora. Jantamos, e a Tia Sandra vai embora, deixando o telefone dela, do marido, do papagaio e do cachorro, e vai embora, sempre nos alertando a não ir lá fora!
Ficamos os 8 no posto, e começam a jogar areia nas janelas, e gritar: 
- Vamos assaltar o posto, vamos assaltar o posto!
Imaginem a cena: todos param e se olham ao mesmo tempo.
Alguém diz, são só crianças gritando!
Ok Claudia, crianças de 6, 7 anos, gritando que iriam assaltar o posto, enquanto jogam areia na janela. Acho que vou ligar para o meu irmão, estou com medo! hahahahaha... E foi o q eu fiz! E ainda imploro que ele não conte nada pra minha mãe. O conselho é: vc não precisa disso, volta pra casa!
Mas quem disse que eu quero voltar pra casa?! E outra, como eu voltaria pra casa naquela hora, trancafiada dentro do posto, lembrando dos conselhos sobre a comunidade, e com crianças jogando areia nas janelas?!?!
Vamos tomar um café, e o Wellington me pergunta se a minha palestra já estava pronta, para o dia seguinte.
Oi? Dia seguinte? Não tem projetor pro dia seguinte! Como vou passar meus slides?!?!
Que ódio eu fiquei daquele garoto. Como assim, eu passo a tarde inteira me programando pra quinta, e agora é amanhã?!?! Ele tenta me explicar, e eu como ariana atacada, mal o deixo falar, e ele, para o meu ódio mortal, me deixa falando sozinha, e vai para o quarto, e ainda é seguido pela Ana Paula, e pela Carla.
Só lembro da minha última frase sobre o assunto:
- Eu sou uma Dyva, e vou arrasar, vc vai ver!
HAHAHAHAHAHAHAHAH
Mal sabia que essa seria a palavra mais repetida por ele nos próximos dias!
Alguém está com vontade de comer doce... Quem?!?! O Marcelo, claro!
E pior, incentivado pela Camila, eles decidem ir lá fora!
Como assim, lá fora?! Não... vamos todos, então! Daí começa o sentido de família... Se é pra ir, vamos todos!
Não, alguém diz. Vão quatro, e ficamos quatro. Qlr coisa, nos defendemos!
Ok, lá fomos eu, Marcelo, Folly e Camila.
Ao sair do portão lateral do posto, tem um grupo de adolescentes que nos olham desconfiados. Eu pergunto a eles, onde podemos comprar algo, eles indicam um barzinho no final da rua, e escuto fogos.
Sim, soltaram fogos! Juro que quase morri nessa hora...
Nos dividimos: Marcelo e Camila vão comprar o doce, eu e a Folly ficamos na porta, conversando com os meninos. Ok, eu fazendo a linha “simpática”, chamando um dos meninos de Neymar, por conta do corte de cabelo, pergunto o nome deles, falo do frio...
A Folly me cutuca... está vindo um carro preto, beeeeeeeeeeeeem devagar.
Eu continuo conversando, simpática, animada... Nem raio laser passaria naquele momento!
O carro passa pela gente, mais devagar ainda... E eu finjo nem notar. Rs
Camila e Marcelo voltam, continuamos a conversar, disfarçar, e finalmente entramos.
Ufa! Nosso primeiro contato tinha sido tenso... rs
Agora, preciso pensar na Hipertensão, diabetes e dengue... É pra amanhã, às 9h! rs...
Como boa ariana que sou, estimulada, e com mta vontade de que dê tudo certo, só pra mostrar o qto sou boa naquilo que me proponho a fazer (como sou ridícula), a criatividade aparece. 
Tenho uma ideia bem legal, modéstia a parte, de como manter um grupo de adultos e idosos concentrados em mim, por duas horas. E nessa eu fico, com o apoio da Folly, Marcelo, Camila e Nathy, até às 5h da manhã! E resolvo tirar um cochilo até às 7h, pra ficar com menos olheiras! rsss...
Foram aproximadamente 40 minutos de sono, o restante, eu passei sacudindo a Folly, pra que ela não roncasse, e desse motivo para falarem dela!
7h... O despertador alucinado toca. De quem?!?! Do Wellington, claro!!!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Uma grande aventura - Primeiro dia!




Ok, que tudo na minha vida se transforma em aventura, todos nós já sabemos. Mas, depois dessa operação pela Região Serrana, está pra acontecer algo tão "aventuresco" qto! rs
Foram os onze dias mais incríveis da minha vida. Nunca vivenciei tantos sentimentos, tantas novidades, e experiências em tão pouco tempo. 
Depois de passar a noite em claro, com o João, Elton, Anderson e a Folly, aqui em casa, o relógio marca 5h da manhã do 11 de Julho, hora de partir. Um frio grosseiro, sono e malas gigantes, a minha aventura começa, junto com a Folly e a fila super educada do 267. rs
Encontrar a minha equipe na Cruz Vermelha, começar a criar as expectativas do que encontraríamos por lá, foi mto bacana. Qdo entramos no ônibus, junto com as equipes de Friburgo e Bom Jardim, a animação estava em toda.
Brincadeiras, intimidades reveladas... Era tudo festa, até às 12h, quando a fome apertou. rss... Conforme íamos deixando os grupos pelas cidades, o ritmo de festa ia diminuindo. Mas a expectativa ainda era grande. 
Eis que, chegamos em Cordeiro, Região Serrana, ao norte do Estado do Rio de Janeiro. Isso, já eram umas 17:30h e a fome continuava. Pra nossa surpresa, e dos responsáveis locais (Enfª Lívia), não havia local pra dormir. E pra ficar mais legal, os nossos colchões e alimentação, foram parar em outro ônibus, que havia seguido pela região serrana, só que a do sul-fluminense. rs
Procuramos o ônibus, e ele já havia ido embora. Ok! Dormir era o q eu menos queria naquele momento... Eu, e toda a equipe, queríamos era COMER! 
Conversa vai, ligação vem, e somos encaminhados a uma pousada (que mais parecia um albergue abandonado), bem próxima da Secretaria de Saúde, onde fomos desovados pelo ônibus. 
Chegando na pousada: não tinha cozinheira! rss...
Dividimos-nos em dois grupos, e fomos para o Centro da cidade, procurar onde matar aquilo que nos matava. Para nossa surpresa, segunda-feira é dia de folga dos restaurantes da cidade, nada funciona. Acabamos parando em um boteco, ao som de um dvd sertanejo cafona (nada contra...), e o único prato era: rabada com batatas,
Quem iria se atrever a experimentar?!?! O Marcelo, claro! rs... 
Demorou um pouco, e veio, a tal rabada, acompanhada de uma crosta de gordura branca, gelada, na borda do prato. É óbvio que eu não comi... rs
Pediram uma batata frita, que veio óleo com batata... Ok! Passo pro lado... 
Nesse instante, a Carla já tomava um caldinho verde, mais grosso que mingau de fubá, com um olhar desanimador, e o restante do povo devorava o óleo com batatas.
Não sobrou nada pra mim, além de 3 enroladinhos de salsicha. Sim, 3!!! Já eram 20h da noite, e a minha última refeição tinha sido as 7:30 da manhã! rsss...
Imagine o mau humor que tomou conta de toda a equipe... ^^
Metade do grupo resolve ir embora pra pousada, já que a Carla estava passando mal (eu ainda acho que era ressaca da cachaça com sabor de uva, e cheiro de cereser da macumba, na estrada... rs), e alguns queriam dormir.
Acho que os únicos animados naquela mesa, éramos eu e o Mello, que insistia em dizer sobre a força do meu cabelo e a energia que eu trocava com as pessoas através do olhar... Ele só faltou jogar búzios pra mim, enquanto todos (Folly, Alex, Marcello e Nathy) presenciavam aquela cena inesquecível! rsss
No dia seguinte, enquanto falávamos sobre as previsões dele, descobrimos que ele fez os mesmos, sim, OS MESMOS, comentários para uma das meninas da equipe, horas antes de viajarmos. Haja criatividade! rs
Matamos a fome... e vem a notícia: ônibus, só em 1h. Ok, vamos andando... Depois de comer como uma porca gorda, caminhei por 40 minutos, com o restante da equipe, até chegar na pousada. 
Chegando lá, hora do banho... Frio, MUUUUUITO frio. Ok, já que eu comi como uma porca gorda, pq não continuar sendo porca, e tomar banho só amanhã de manhã?!?! ahahahahahaha
E foi o q eu fiz... Deitei, e apaguei!

Uma grande aventura - Quarto dia!


Ahhh... o quarto dia! Esse dia sim, eu nunca mais esquecerei... 
Desculpem o trocadilho ridículo, mas esse ficará conhecido como o "Quarto dia - Dia do Quarto!"
Esqueci de contar, que no dia anterior, a noite, fomos passear de furgão da Cruz Vermelha, no Centro, e fazer umas compras. Fruuuutaaaas, leguuumess... nem acredito! rs
Hje o pessoal da FUNASA apareceu. Graças à visita da Ana Paula e da Carla, ontem, e não satisfeitas, voltaram lá hoje, a Nathy e a Ana Paula novamente. “Não promete, que nós vai atrás!” HAHAHAHAHAHAHA
Vieram em equipe de 3 pessoas, e estão circulando pela comunidade, fazendo controle de Dengue. 

O dia começou tranquilo. Na parte da manhã, o posto ficou vazio, já que era a festa de encerramento das atividades, na escola local.
A Enfª Tatiana, como havia prometido, trouxe o material de saúde da mulher e o projetor, para que fossem utilizados nas palestras do dia.
Almoçamos, mais uma vez com mtas porcarias... rs
Lilian foi embora, e já pensávamos nas expectativas da ação social, no dia seguinte.
Quando deu 14h, a porta do posto já estava cheia.
Achei engraçado que mtos já me conheciam pelo nome. Isso é tão legal!!!
Tivemos atividade para crianças, com a Tia Carla e palestra de Saúde da Mulher, e planejamento familiar, com o Wellington, Camila e Enfª Tatiana, ao mesmo tempo, em salas separadas, obviamente.
A palestra de saúde bucal da Tia Carla foi ótima. As crianças participaram ativamente, e eu devo pedir palmas a ela, que conduziu perfeitamente!!!

A palestra de saúde da mulher tb foi legal, foram algumas mulheres. Percebemos que esse tipo de assunto não é mto bem trabalhado por lá, infelizmente, já que as meninas estão engravidando cada vez mais cedo, na comunidade. Pra vcs terem uma ideia, foi identificado que, muitas mães deixam os filhos desnutridos, só para terem o direito de ganhar o leite, no início do mês!!! Além disso, tem outras que engravidam pra aumentar em R$50 o Bolsa Família!!!
Enquanto rolavam as duas palestras, eu, a Folly e o João fizemos bandeirinhas para o salão do posto, e providenciei um painel de divulgação da ação social, no dia seguinte. Ficou bem legal, fiz com 4 folhas de papel pardo, algumas de ofício, e umas embalagens de papel de bala. No sufoco, improvise! rs...
Pendurei o painel lá fora, na grade do posto... E qdo eu já ia entrando, alguém me grita, do outro lado da rua. Eu voltei pra saber o q essa pessoa queria, e ela me avisou, que pediram pra avisar, que se eu não tirasse o painel, iriam destruir.
Como assim?!?! Eu fiquei uma tarde inteira cortando e colando papel, de joelhos no chão, e vão destruir?!?! Ahhhh... mas não vão mesmo, eu pensei cmgo! Fui tomada por um sentimento de raiva, injustiça, e irresponsabilidade, também... hahahahaha.... Afinal, manda quem pode, obedece quem tem juízo, já dizia a minha avó! rs...
Eu juro, eu só pensava na quantidade de pessoas que eu queria convidar... Se eu pudesse, buscaria todos em casa, pra participar do evento, já que havíamos conseguido preventivo, mamografia e glicemia para todos, o que é mto raro naquela região.
Sabe o que eu fiz?! Montei um sistema de revezamento para que o painel ficasse lá!!!
Um ficava, entrava, vinha outro... E assim, o painel ficou até as 17h, qdo estava na hora do pessoal do posto ir embora... hahahaha... Quem tem, tem medo!
Minto, ficou até mais tarde, já que a Nathy e a Enfª Tatiana haviam ido à rua arrecadar brindes pra sortear na festa, no dia seguinte. Só entramos qdo elas chegaram, umas 19h30min, por aí.
Nesse meio tempo, Carla, Ana Paula e Wellington, fugiram de todo mundo, e foram pro Centro, dar uma volta. FUGIRAM SIM! Hahahahahahahahaahhaha
Entramos e ficamos planejando como seria, onde seria... O assunto era ação social do dia seguinte.
Acertei algumas coisas com a Enfª Tatiana, ela foi embora, e começamos o mutirão pra organizar o posto, e enfeitar o salão.
Os fugitivos chegaram, e continuamos organizando o salão... Fiz um chocolate quente pra gente, tinha música, estávamos todos felizes, curtindo a noite...
Até que a Ana Paula, que já estava deitada, surge pálida, dizendo que haviam batido na janela do quarto e ela tinha visto um rosto no vidro.
São 01h30min da manhã, está tudo escuro lá fora, e tem gente no quintal do posto batendo nos vidros...
MEU DEUUUS! Foi uma correria pelo posto...
Eu estava achando que era brincadeira do Wellington e da Ana Paula, querendo que fossemos dormir, já que eles dormiam cedo.
Todo mundo começa a recolher os laptops, celulares... eu só queria meu estojo de canetas, que estava do lado da porta principal do posto, de vidro!!! Hahahahaha
O posto está uma bagunça... retalhos para todo lado, copos, uma sujeira só...
Do nada me vem o Wellington com um óleo da igreja dele, dando um banho em todo mundo... hahahahahaha... Meu cabelo já estava oleoso, depois dessa...
Eu pensei comigo, acho que ele não brincaria com coisa da igreja, né?!
Fui pro quarto... Surtei qdo ví marcas de pé no meu colchão e água... Até que ele disse que pisou ali, na correria, e a água, era o oléo da unção. Hahahahahaa... Oléo da unção pode!!!
A Carla e a Ana Paula estavam lá, assustada, pq continuavam a bater nos vidros.
Ok, gente! Vamos parar com essa brincadeira...
Alguém diz com voz firme, que não era brincadeira.
Beleza, então eu quero a minha mãe!!!
Desligamos a música, apagamos a luz do salão, e a Fernanda vai tomar banho... Ficamos na sala da Enfermagem, que tinha o banheiro com chuveiro, eu, Marcelo e Wellington, enquanto a Fernanda tomava banho, com a porta aberta.
Bateram no vidro do banheiro... Todos saem correndo pelo posto... Eu, por incrível que pareça, fui a primeira a chegar no quarto!!! Hahahaha... E toda a minha roupa ficou espalhada pelo posto!
Ok, eu já entendi, e ouvi... não é uma brincadeira!
Depois de tudo o que eu ouvi da comunidade, tem pessoas lá fora, querendo nos assustar, assaltar, estuprar, vão invadir o posto, são mtos... Como ficamos criativos nessas horas!!!
Nesse meio tempo, o nosso valente Marcelo bateu no vidro de volta, respondendo... O que ele não esperava, é que o temor seria tanto, que causaria nele uma dor de barriga súbita!!! uhauhuahhauhuahuaahua...
Eu me lembro dele pedindo pelo amor de Deus, que a Fernanda terminasse logo... uauhauhauhauhaua... E todos esperando por ele na sala de Enfermagem. O silêncio no posto era ensurdecedor!
Eu nem olhava pra janela... Quem quer ver o capeta, vai pro inferno!!! rs
Eu sei que a Fernanda terminou o banho de gato, o Marcelo usou o trono e eu fui tomar banho.
Quando chego no quarto, descubro que continuaram batendo na janela, e na porta lateral.
Ok, chega! Vamos ligar pra polícia agora... O orelhão, que funcionava bem até as 21h +/-, não funcionava mais...
Luzes de lanterna atravessam os vidros da porta lateral...
Pânico, pânico... Liga do celular para o 190...
Alô, DPO de Campos, era o que sempre diziam do outro lado da linha... E agora, será que o Chapolin apareceria por aqui?!?!
Alguém lembra que o marido da Tia Sandra, a cozinheira, era policial, e ligam pra ela. No dia seguinte, ficamos sabendo que eles foram até a DPO pedir a patrulha que foi pra lá.
A Ana Paula me vira, e diz que ligaria a câmera pra grava o que estava acontecendo, pq naquele filme, que um grupo de voluntários é atacado na África... tra lá lá... HAHAHAHAAHAHAH
A Nathy não saía do celular... Acho que ela ligou para Niterói inteiro!!!
A Carla, elétrica, não pronunciava uma palavra...
A Ana Paula branca, como cera... Marcelo querendo ir lá fora...
Alguém diz que deveríamos orar... O Wellignton, claro!
Lá vem ele com toda sua unção, reúne todos nós em círculo, sentados na cama, de mãos dadas, orando, timidamente, enquanto o Marcelo, vigiava a porta.
Orai e vigiai, já dizia a minha mãe!!! Hahahahahahha
Continuavam batendo nos vidros, e em locais diferentes do posto...
A Folly não parava de rir, de nervoso... Nisso, a Carla toma a frente da oração, e aos berros, começar a falar do nosso trabalho, o qto era importante a nossa presença naquela comunidade, quais eram os nossos objetivos, que não estávamos ali pra tomar o lugar de ninguém, pedindo a Deus que protegesse cada um que estivesse ali, que nos desse serenidade... tra lá lá... Até Jesus ficou surdo, tamanha altura da oração dela.
Mas valeu, depois disso, não escutamos mais bater...
Pensa que acabou?!?! Hahahahah... Claro que não!
Tudo escuro, todo mundo deitado, a Dyva aqui, que vos fala, fica dispneica, e o Wellignton, mto solícito, diz que se alguém passasse mal, ele pegaria água na cozinha... hahahahahah...
Eu nunca tinha sentido falta de ar... PQP! É horrível, tenebroso, horripilante...
Eu sinto um segurar meu pé, o outro a perna, o na barriga, o outro o braço, cafuné, e a Fernanda do outro lado, alisando meu braço...  Eu só escutava as pessoas me pedindo calma...
PQP! Me soltem!!! Eu quero respirar!!! Hahahahahahaa
Uns 30 minutos depois, com a minha respiração normalizava...
Alguém fala que viu a luz da polícia do lado de fora... Os cachorros começam a latir... Barulho no quintal do posto... Acho que pularam o muro... Eles estão latindo muito!!! Silêncio... mais silêncio ainda... Vamos ficar quietinhos! Vamos esperar...
Eu, mega discreta, inicio uma crise de tosse violenta... Benalete, álcool, nada me fazia parar de tossir... Aliás, a Folly precisa de agradecimentos nesse momento. Ela pegou minha benalete, o álcool, uma toalhinha, arrancou meu mendiguinho, sim, aqueles cobertores cinza, com um risco vermelho... A Cruz Vermelho deu um pra gente!!! Como esquenta, aquele cobertor!!! Mas voltando, sei que a Folly ficou do meu lado o tempo todo!!!
Acho que eu tossi até dormir! Rs
Acordei, 30 minutos depois de dormir... isso já eram 5:20 da manhã, e a vontade de fazer xixi era absurda...
Quem vai comigo?! A Fernanda, claro!
Já está amanhecendo... Espera um pouquinho, que o João (agente de saúde), chega já já...
Fernanda, ele só chega as 8h! Até lá, eu já entrei em colapso!
Como eu dou trabalho! Hahahahahaha
Até que resolvemos, e fomos ao banheiro. Correndo pelo posto, na ponta do pé, e ainda fazer xixi no escuro, em um banheiro com divisórias, não tem preço. Juro, eu tremia tanto, que nem senti o prazer de esvaziar a bexiga!!!
Voltamos pro quarto, sem saber que ainda tinha gente lá fora tomando conta do posto.
Deu 6h, 7h – com direito a um susto tremendo, qdo o celular do Wellington despertou. Todo mundo pulou na cama! hahahahahaah -, 8h...
Barulho na porta principal... Deve ser o João! Vou esperar ele vir aqui...
Todo mundo levanta assustado, sai pelo corredor desconfiado, e damos de cara com um posto completamente bagunçado, as portas abertas, população chegando pra ser atendida, ação social pra organizar, e a Enfª de mau humor, achando que a gente tinha deixado o posto daquele jeito de sacanagem... Mas isso essa confusão toda, é só no quinto dia... rs

Uma grande aventura - Terceiro dia!

Bom dia terceiro dia!
A correria pra tomar banho, era uma loucura. Só tinha um chuveiro, e 8 pessoas pra tomar banho em 1h, já que as 8h, o posto abria. E lá fui eu, banho, e depois, tomar café, pra esperar os participantes da minha primeira palestra.
A ansiedade era tanto, que eu nem tomei café direito. Eu estava insegura por ser a minha primeira vez, na orientação em grupo, sendo observada e avaliada por um grupo de desconhecidos, além de uma enfermeira formada, que coordena o posto.
Dyva, que é Dyva, não demonstra insegurança. Mas confesso, não passava nem nylon!
Deu 9h, 09h15min... e nada do pessoal chegar. Mais insegura eu ficava... ôxente! rs
Até que chegou um, dois, três... no final, já eram umas 15 pessoas, mais eu, Fernanda e Camila.

Vamos começar! Enquanto isso, Nathy e Ana Paula brincavam com as crianças que estavam com os pais na palestra.
Lá foi a Folly, colocando nome em todos, e eu estendi o meu “tapete dos segredos”... Sim, eu bolei um cartaz com 8 segredos que combatem a hipertensão, que iam abrindo conforme eu ia falando sobre o assunto. Tapete, pq eu coloquei no chão mesmo. rs
E a palestra, transformada em bate-papo dinâmico fluiu perfeitamente. Todos participaram, e tinha uma ariana, que eu não vou dizer quem é, toda orgulhosa de si mesma... rs... E pra finalizar, conferimos PA e peso da galera, e foi sugerida ao público uma caminhada no dia seguinte, às 9h.
Almoçamos, e os meus planos era dormir na parte da tarde... Anham, Claudia, alguém dorme aqui?! rs
Dessa vez, o almoço já passou a ser na mesa, com todos, e começaram as porcarias... Os almoços eram sempre cercados de mtas porcarias, pqp! Os piores assuntos, exemplos...
Aplausos para o relinche da Ana Paula, sempre presente! HAHAHAHAHAH
Deu 14h, hora marcada para palestra sobre DST e Tabagismo com os adolescentes. Fez fila na porta do posto, e tivemos que selecionar por idade, mesmo sabendo que mtas crianças ali sabiam bem mais que seus pais!!! 
A parte que não tinha idade compatível para palestra seguiu para a quadra, a única opção de lazer do vilarejo, para recrear com o material que levamos da Cruz Vermelha.
A Nathy ficou com um grupo de meninas que sonham em serem modelos e fotografas, mas que nunca haviam tirado fotos com uma máquina digital, eu e a Folly ficamos com o grupo mais numeroso e levado, obviamente. 

Eu sempre tenho mya sorte, qdo o assunto é criança e/ou pacientes psiquiátricos.
Eu vi aquelas crianças completamente encantadas, brincando com bambolê, bola de leite, peteca e corda. Nesse momento, eu lembrei das vezes em que a minha família distribuía doces em festa de São Cosme e São Damião, que as crianças queriam qlr outra coisa que não fosse bambolê e bola de leite. Lembrei de como eu havia tido uma infância incrível, e do qto eu era feliz, e estava mais ainda por estar ali, naquele momento, podendo presenciar tamanha felicidade alheia.
Mas como qlr criança, é difícil manter atenção por mto tempo, e eu só lembrava da minha mãe dizendo que criança levada, precisa gastar energia. E foi o q fizemos: corrida de um lado ao outro da quadra, salto, e corrida de carrinho-de-mão humano. Eles nunca haviam brincado disso, e estavam super empolgados e interagindo bastante.
Eis que surgiu uma briga, entre dois meninos. Pensem em socos, pontapés, porradaria mesmo... Eu nunca tinha visto crianças brigando daquela forma. Precisamos ser mais energéticas, nesse momento. Foi aí que a minha voz sumiu de vez... rs... e pasmem, fui chamada de Vaca! rs... Achei que seria mais inteligente da minha parte, fingir que não havia escutado.
Qdo deu umas 16h30min, descemos para o posto, e liberamos as crianças.
A Lilian tinha chegado com os colchões a nossa comida. \o/
Lá, eu passei pelo Cunha, um sujeito mtooooo educado, gentil e solicito, que me deu um fora. rs...
Encontramos com a Lilian na sala de Enfermagem, conversamos sobre o que já havíamos feito, e eu até já tinha tido coragem de perguntar sobre o cabelo de um amigo nosso, e nisso, já era a hora do jantar. Jantamos, e fomos programar como seria o dia da ação social.
A Lilian foi dormir, e começando a separar as tarefas.
Eu fiquei com Glicemia... EUUUU??? GLICEMIA??? SURTEI! Eu nunca fiz hgt em ninguém!!!
Até que alguém – o Wellington - tem a péssima ideia de dizer o qto era fácil... HHAHAHAHA... Eu possuída, querendo explicar o qto eu achava errado fazer algo que eu não tinha competência pra fazer. Que eu era responsável e sabia das minhas necessidades, e capacidades. Desculpa, mas eu nasci perfeccionista! rs
Até que a St. Carla se oferece para ser a minha cobaia! Hahahahahaha... Meu primeiro dedo!
PAREI! Juro que eu me senti uma completa idiota, por ter criado aquele rebu todo, achando que seria algo mais complexo do mundo. Foi a mesma sensação que eu tive, quando aprendi a verificar P.A. É mto simples! rs... MIM ESCROTA! rs...
Eu já disse isso a todos eles, mas vale mto a pena repetir aqui: obrigada demais, pela paciência em me aturar, equipe linda! Vcs me ensinaram mto!!!
Ok, ok... sem mais polêmicas por hoje, resolvemos dormir. Vai um tomar banho, outro... cama...
Qdo todos estavam já deitados, ainda acordados... aquele silêncio da madrugada... PLOFT!
Um barulhão, que propagou pelo quarto...
O silêncio ficou maior ainda... até que a Ana Paula levantou a cabeça pra fora do cobertor... e a Carla começou a se mexer. Foi o suficiente para que gargalhadas surgissem... Imaginem 8 pessoas dando gargalhadas dentro de um quarto minúsculo?!?!
Sim, foi um pum!!! HAHAHAHAHAHAH
Eu, infelizmente, não posso entregar quem foi... Mas vou lembrar pro resto da minha vida, a cara de pânico do Marcelo apontando para cama ao lado, mostrando quem foi, e que, ainda por cima, dormia tranquilamente!!! HAHAHAHAHAHAHA
Eu, e mais umas cabeças levantamos... Não tinha como dormir naquele momento!
Papo vai, papo vem, na cozinha... Só ficamos eu, Nathy e Folly. Até que o assunto espiritismo surge, e a Nathy começa a contar histórias do pai dela. Do nada, a luz do salão apaga sozinha...
Gelei, claro... Quem fez isso, eu perguntei. Morrendo de medo que alguém me respondesse, claro!
Continuamos conversando, olhando para um lado e para outro... e uma bola cai no quintal do posto.
Vamos dormir, vamos gente! Levantamos as três corajosas, correndo, e fomos para o quarto!
Afinal, já estava amanhecendo no Manancial... rs









Uma grande aventura - Segundo dia!

6h da manhã, e alguém esmurra a porta aos berros...
Era o Wellington, já dando uma pequena mostra da sua casqueadura!
Acordar com gritos, e ter que seguir para um banho frio (O chuveiro era quente, mas quem disse que o frio deixava esquentar aquela busenga), e ainda tendo que lavar o cabelo, não tem preço!
Primeira etapa, banho, cumprida!
O pessoal já estava tomando café da manhã, quando nós saímos. E eu fui com a Folly, ver o que tomaríamos. O café era simples, pão, leite, achocolatado, suco de açúcar com caju, e uma broa.
Pra começar, leite quente, MUITO QUENTE, que me rendeu dois dias de língua dormente. E 1 pão pra cada... Não que eu fosse comer mais de um, mas colocar um pra cada é foda! rs... Foi aí que começou a grande paixão pela manteiga Macuco. PQP, que delícia!!!
Juntamos-nos ao grupo, que já discutia o que faríamos naquele dia. Ouço reclamações do ronco da Folly, e esperamos que a Enfª Lívia viesse nos buscar, para que, finalmente, fossemos para o tão esperado Manancial.
Acho que a ansiedade era tanta, que ficamos 40 minutos na porta da Pousada, com toda aquela bagagem, esperando o motorista chegar. E olha que, para complementar a ansiedade, ele passou por nós duas vezes, dizendo que já viria nos buscar. rss...
Foram tantos minutos, que deu tempo da Folly colocar a calça jeans dela, estirada em cima das bagagens, pra secar. Pouco discreta, a minha amiga! rs
Eis que a kombi chega. Entra material, entra gente, despede do Alex e do Mello, que voltariam para o Rio, e vamos ao encontro do Manancial.
Segue em frente, vira a rua, segue mais, e começamos a subir... Subimos, subimos... Começa a estrada de chão, e continuamos a subir... E o motorista, sem graça com as gargalhadas do remelexo dentro da kombi, diz que o Prefeito é legal, e está só esperando as obras da Cedae, pra asfaltar aquela região. Eu penso comigo, que bacana, estamos indo para um local em pleno desenvolvimento!!!
Chegamos a uma praça, ou melhor, um espaço descampado, com mtos barrancos na volta, e eu vejo também um conjunto habitacional abandonado no alto, e uma casa retangular, com muros baixos, onde funciona o PSF que ficaríamos. 
Ao mesmo tempo, chega a Enfª Lívia, em seu carro, com o restante das nossas bagagens. rs
Entramos com todo o material, e somos apresentados a Enfª Tatiana, que coordena o PSF, e aos funcionários que trabalham lá. Tirando a Tatiana, que precisava ser educada, todos nos olham desconfiados.
Entramos no quarto, onde dormiríamos, e a minha primeira surpresa: tem uma cortina preta, do teto ao chão, e uma mesa gigante. Penso comigo: será que eu estou em uma sala de velório da comunidade e não sei?!?! Melhor esquecer isso, eu preciso dormir mais tarde!!! 
Organizamos as malas na sala, com a ideia de que os colchões chegariam no final da tarde.
Acabada essa etapa, vamos dar uma volta com a Enfª Lívia pela comunidade - Sim, duas ruas, e casas no entorno.
A primeira impressão é estranha. As pessoas nos olham desconfiadas... Chego perto de um cachorro branquinho (cor de barro), e ele sai correndo, com os rabos entre as pernas. Concluo que não são só as pessoas da comunidade que são desconfiadas! rss...
A Enfª Lívia é bem vista por lá, todos cumprimentam ela, e a conhecem pelo nome. Ela nos explica que trabalhou ali por quase dois anos. Vamos andando devagar, dando bom dia a todos, até que chegamos na última casa da rua de cima, e conhecemos a D. Marisa. 
Uma senhora mto simpática, que cola várias fotos do cantor Daniel pela varanda. Ela convida eu e a Folly pra entrar e conhecer a casa dela. Entramos, desconfiadas, e conhecemos a segunda paixão da D. Marisa: os bombeiros. 
A casa dela, de dois cômodos, é bem organizada, limpa e colorida. Muitos ursinhos de pelúcia, foto de bombeiros, do Daniel e familiares. Ela nos oferece um café e água, mas não aceitamos. A lembrança do último café que tomei em uma comunidade que visitei, cujo copo era mais escuro que o próprio café, me deixou traumatizada. 
Papo vai, papo vem... D. Marisa conta que por ter a casa organizadinha, e ter uma pensão de um salário mínimo, dificulta na hora de receber donativos da assistência social. Ela fala da sua paixão pelos bombeiros, pelo Daniel, e dos netos, que por ligarem a cobrar, ela cortou o telefone, que agora só recebe.
Por falar em telefone, ela diz: qlr coisa que vcs precisarem, liguem 3745 (fictício). 
Oi? 3745? Quatro números?!?! Como eu ligo pra esse número?!?! rsss... Tudo bem, deixa pra lá... Outra hora alguém me explica como funcionam os telefones da cidade.
Peço licença, pois preciso voltar ao posto com a Folly, e quando chegamos na porta, onde estão todos?!?! 
Puxa vida, a ordem não era andarmos em grupo?!?! Nos esqueceram, Fernanda, nos esqueceram!!!!
Seguimos ao posto, e lá, foi montada uma reunião na sala da Enfermagem. A Enfª Tatiana começa falando da comunidade, que ali é um lugar especial, mas que vem sofrendo com alguns probleminhas: o alto índice de usuários de drogas, alcoólatras, estupros, vandalismo e assalto. Ela diz pra não andarmos, em hipótese alguma, sozinhos, e depois de fechar o posto, as 17h, evitar de circular do lado de fora.
Ok, imagino a minha mãe escutando isso, mobilizando a Marinha, Exército, FAB, e o Corpo de Bombeiros pra ir me resgatar no meio daquele vilarejo!!! Se eu queria aventuras nas férias: aqui estou!!!
Olho para o rosto do pessoal da equipe, e sinto uma tensão no ar. rs
Enfim, alguém chama, dizendo que o almoço chegou, junto com a Tia Sandra. Todos seguem desconfiados, pra finalmente conhecer a cozinheira, que nos acompanharia por 11 dias. O temor de ter que comer uma carne moída com macarrão, como no dia do treinamento na Cruz Vermelha, é assustador.
Opa, ela lembra fisicamente a minha madrasta, é simpática, e para a felicidade da nação, o almoço não é macarrão com carne moída. Pra se bem sincera, não me lembro o que almoçamos naquele dia. Mas estava uma delícia, tenho certeza. E tinha salada, para felicidade da Carla! rs
O primeiro almoço é no quintal do posto, já que não havia mesa que acomodassem todos. 

Passo a tarde programando a minha palestra em ppt, sobre hipertensão, dengue e diabetes, já que me disseram que são os principais problemas da comunidade, que na minha cabeça, seria na quinta-feira, enquanto o restante do grupo vai conhecer o campo, e convidar a comunidade, acompanhados de um agente de saúde, para as atividades que seriam programadas no dia seguinte. 
Aproximadamente 16h, recebemos uma ligação de que o carro com a nossa alimentação e colchões não chegaria a tempo, naquele dia. Ok! Mas onde vamos dormir?!?! Uma mobilização começa, em busca de colchões, tem um inflável da Ana Paula, surge mais um inflável da Tia Sandra, e conseguem mais dois na comunidade. Ok! 2 colchões micro de casal, um como papel, e um de solteiro. 8 cabeças pra dormir... 
Tah bom, tah bom... tdo vai dar certo! Eu vou dormir com a Folly roncando do meu lado, mas tô feliz, meus slides ficaram lindos! rs...
Deu 17h, a equipe do posto tranca tudo, e vai embora. Jantamos, e a Tia Sandra vai embora, deixando o telefone dela, do marido, do papagaio e do cachorro, e vai embora, sempre nos alertando a não ir lá fora!
Ficamos os 8 no posto, e começam a jogar areia nas janelas, e gritar: 
- Vamos assaltar o posto, vamos assaltar o posto!
Imaginem a cena: todos param e se olham ao mesmo tempo.
Alguém diz, são só crianças gritando!
Ok Claudia, crianças de 6, 7 anos, gritando que iriam assaltar o posto, enquanto jogam areia na janela. Acho que vou ligar para o meu irmão, estou com medo! hahahahaha... E foi o q eu fiz! E ainda imploro que ele não conte nada pra minha mãe. O conselho é: vc não precisa disso, volta pra casa!
Mas quem disse que eu quero voltar pra casa?! E outra, como eu voltaria pra casa naquela hora, trancafiada dentro do posto, lembrando dos conselhos sobre a comunidade, e com crianças jogando areia nas janelas?!?!
Vamos tomar um café, e o Wellington me pergunta se a minha palestra já estava pronta, para o dia seguinte.
Oi? Dia seguinte? Não tem projetor pro dia seguinte! Como vou passar meus slides?!?!
Que ódio eu fiquei daquele garoto. Como assim, eu passo a tarde inteira me programando pra quinta, e agora é amanhã?!?! Ele tenta me explicar, e eu como ariana atacada, mal o deixo falar, e ele, para o meu ódio mortal, me deixa falando sozinha, e vai para o quarto, e ainda é seguido pela Ana Paula, e pela Carla.
Só lembro da minha última frase sobre o assunto:
- Eu sou uma Dyva, e vou arrasar, vc vai ver!
HAHAHAHAHAHAHAHAH
Mal sabia que essa seria a palavra mais repetida por ele nos próximos dias!
Alguém está com vontade de comer doce... Quem?!?! O Marcelo, claro!
E pior, incentivado pela Camila, eles decidem ir lá fora!
Como assim, lá fora?! Não... vamos todos, então! Daí começa o sentido de família... Se é pra ir, vamos todos!
Não, alguém diz. Vão quatro, e ficamos quatro. Qlr coisa, nos defendemos!
Ok, lá fomos eu, Marcelo, Folly e Camila.
Ao sair do portão lateral do posto, tem um grupo de adolescentes que nos olham desconfiados. Eu pergunto a eles, onde podemos comprar algo, eles indicam um barzinho no final da rua, e escuto fogos.
Sim, soltaram fogos! Juro que quase morri nessa hora...
Nos dividimos: Marcelo e Camila vão comprar o doce, eu e a Folly ficamos na porta, conversando com os meninos. Ok, eu fazendo a linha “simpática”, chamando um dos meninos de Neymar, por conta do corte de cabelo, pergunto o nome deles, falo do frio...
A Folly me cutuca... está vindo um carro preto, beeeeeeeeeeeeem devagar.
Eu continuo conversando, simpática, animada... Nem raio laser passaria naquele momento!
O carro passa pela gente, mais devagar ainda... E eu finjo nem notar. Rs
Camila e Marcelo voltam, continuamos a conversar, disfarçar, e finalmente entramos.
Ufa! Nosso primeiro contato tinha sido tenso... rs
Agora, preciso pensar na Hipertensão, diabetes e dengue... É pra amanhã, às 9h! rs...
Como boa ariana que sou, estimulada, e com mta vontade de que dê tudo certo, só pra mostrar o qto sou boa naquilo que me proponho a fazer (como sou ridícula), a criatividade aparece. 
Tenho uma ideia bem legal, modéstia a parte, de como manter um grupo de adultos e idosos concentrados em mim, por duas horas. E nessa eu fico, com o apoio da Folly, Marcelo, Camila e Nathy, até às 5h da manhã! E resolvo tirar um cochilo até às 7h, pra ficar com menos olheiras! rsss...
Foram aproximadamente 40 minutos de sono, o restante, eu passei sacudindo a Folly, pra que ela não roncasse, e desse motivo para falarem dela!
7h... O despertador alucinado toca. De quem?!?! Do Wellington, claro!!!

Uma grande aventura - Primeiro dia!



Ok, que tudo na minha vida se transforma em aventura, todos nós já sabemos. Mas, depois dessa operação pela Região Serrana, está pra acontecer algo tão "aventuresco" qto! rs
Foram os onze dias mais incríveis da minha vida. Nunca vivenciei tantos sentimentos, tantas novidades, e experiências em tão pouco tempo. 
Depois de passar a noite em claro, com o João, Elton, Anderson e a Folly, aqui em casa, o relógio marca 5h da manhã do 11 de Julho, hora de partir. Um frio grosseiro, sono e malas gigantes, a minha aventura começa, junto com a Folly e a fila super educada do 267. rs
Encontrar a minha equipe na Cruz Vermelha, começar a criar as expectativas do que encontraríamos por lá, foi mto bacana. Qdo entramos no ônibus, junto com as equipes de Friburgo e Bom Jardim, a animação estava em toda.
Brincadeiras, intimidades reveladas... Era tudo festa, até às 12h, quando a fome apertou. rss... Conforme íamos deixando os grupos pelas cidades, o ritmo de festa ia diminuindo. Mas a expectativa ainda era grande. 
Eis que, chegamos em Cordeiro, Região Serrana, ao norte do Estado do Rio de Janeiro. Isso, já eram umas 17:30h e a fome continuava. Pra nossa surpresa, e dos responsáveis locais (Enfª Lívia), não havia local pra dormir. E pra ficar mais legal, os nossos colchões e alimentação, foram parar em outro ônibus, que havia seguido pela região serrana, só que a do sul-fluminense. rs
Procuramos o ônibus, e ele já havia ido embora. Ok! Dormir era o q eu menos queria naquele momento... Eu, e toda a equipe, queríamos era COMER! 
Conversa vai, ligação vem, e somos encaminhados a uma pousada (que mais parecia um albergue abandonado), bem próxima da Secretaria de Saúde, onde fomos desovados pelo ônibus. 
Chegando na pousada: não tinha cozinheira! rss...
Dividimos-nos em dois grupos, e fomos para o Centro da cidade, procurar onde matar aquilo que nos matava. Para nossa surpresa, segunda-feira é dia de folga dos restaurantes da cidade, nada funciona. Acabamos parando em um boteco, ao som de um dvd sertanejo cafona (nada contra...), e o único prato era: rabada com batatas,
Quem iria se atrever a experimentar?!?! O Marcelo, claro! rs... 
Demorou um pouco, e veio, a tal rabada, acompanhada de uma crosta de gordura branca, gelada, na borda do prato. É óbvio que eu não comi... rs
Pediram uma batata frita, que veio óleo com batata... Ok! Passo pro lado... 
Nesse instante, a Carla já tomava um caldinho verde, mais grosso que mingau de fubá, com um olhar desanimador, e o restante do povo devorava o óleo com batatas.
Não sobrou nada pra mim, além de 3 enroladinhos de salsicha. Sim, 3!!! Já eram 20h da noite, e a minha última refeição tinha sido as 7:30 da manhã! rsss...
Imagine o mau humor que tomou conta de toda a equipe... ^^
Metade do grupo resolve ir embora pra pousada, já que a Carla estava passando mal (eu ainda acho que era ressaca da cachaça com sabor de uva, e cheiro de cereser da macumba, na estrada... rs), e alguns queriam dormir.
Acho que os únicos animados naquela mesa, éramos eu e o Mello, que insistia em dizer sobre a força do meu cabelo e a energia que eu trocava com as pessoas através do olhar... Ele só faltou jogar búzios pra mim, enquanto todos (Folly, Alex, Marcello e Nathy) presenciavam aquela cena inesquecível! rsss
No dia seguinte, enquanto falávamos sobre as previsões dele, descobrimos que ele fez os mesmos, sim, OS MESMOS, comentários para uma das meninas da equipe, horas antes de viajarmos. Haja criatividade! rs
Matamos a fome... e vem a notícia: ônibus, só em 1h. Ok, vamos andando... Depois de comer como uma porca gorda, caminhei por 40 minutos, com o restante da equipe, até chegar na pousada. 
Chegando lá, hora do banho... Frio, MUUUUUITO frio. Ok, já que eu comi como uma porca gorda, pq não continuar sendo porca, e tomar banho só amanhã de manhã?!?! ahahahahahaha
E foi o q eu fiz... Deitei, e apaguei!

 

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